Ecocardiografista do Sistema 1

Quem leu o livro, sabe do que estou falando. Quem não leu precisa da explicação abaixo.

O cérebro funciona em dois sistemas principais para as tarefas mentais e comandos físicos.

O sistema 1 é muito rápido e econômico, predominando na maior parte do tempo. Ele analisa formas e símbolos rapidamente, chegando a conclusões práticas e repetidas, sem espaço para reflexão. Um exemplo é dirigir em um trajeto habitual sem trânsito ou atraso.

O sistema 2 é gastão e preguiçoso, usado para pensamentos mais elaborados e demorados, como realizar uma conta com  124×14 ou escolher qual candidato votar baseado na ideologia do programa de governo.

Em um dia comum, ao contrário do que muitos pensam ou aceitam, 95% do tempo você usa apenas o sistema 1. 

Um ecocardiografista experiente pode realizar um exame de rotina usando exclusivamente o sistema 1. 

Principalmente em clínicas de check up e baixa complexidade. 

Assim, alcança uma velocidade extraordinária, fazendo exame em menos de 10 minutos.

Caso apareça um caso de estenose aórtica grave, ele precisará migrar para o sistema 2, fazer medidas não usuais e refletir muito sobre os achados.

Seu tempo de exame poderá ser de 20 minutos ou mais.

A taxa de acertos do sistema 1 é muito elevada em examinadores treinados. Não merece uma crítica dirigida ao baixo tempo. Caso ele usasse 30 minutos, a conclusão seria a mesma.

Mas o ecocardiografista precisa ser capaz de reconhecer os casos que requerem o sistema 2 e mais tempo.

O pior erro é tratar tudo no sistema 1 e não dar laudos precisos em alguns casos.

Usar sempre o sistema 2 também não traz vantagem para o sistema. Pois cria atrasos desnecessários e filas não justificáveis.

Pode acontecer de um residente usar o sistema 1 por 45 minutos, em sua fase inicial de treinamento. Mas ele ainda está treinando os sistema 1 para uso eficiente.

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