Todo GLS mente, mas a intenção é boa.

Torção ventricular

Deformação longitudinal global

Podemos ver que a torção muda o local onde está sendo avaliado a deformação

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Assim, o segmento analisado não é o mesmo na diástole e na sístole

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Não poderia dizer que avalia o segmento apical lateral, por exemplo. Pois a rotação muda a parede que está sendo analisada

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Deixa de ser uma medida exata para ser um marcador

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Por que é mais sensível que a fração de ejeção, que não mede segmentos mas área ou volume?

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Também depende da pré carga e pós carga

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Assim como o espessamento, que é um efeito secundário da torção, o GLS não é fiel ao segmento analisado, alterado pela torção

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2 comentários em “Todo GLS mente, mas a intenção é boa.”

  • Caro Beto, li o blog “todo GLS mente” e acho que há algumas observações técnicas a serem colocadas.
    Se o strain longitudinal for obtido pelo Doppler tissular, concordo plenamente com a observação de que os segmentos se deslocam com a rotação e não são os mesmos detectados pelos volumes-amostra do Doppler. Lembrando que o strain Doppler calcula-se pela diferença ou gradiente de velocidades do miocárdio entre dois locais (volumes-amostra) próximos.
    Com relação ao strain obtido pela tecnologia speckle-tracking o conceito muda de figura, pois o sistema identifica acusticamente uma pequena região do miocárdio, denominada “speckle pattern” e acompanha ela a cada quadro de imagem determinando seu deslocamento. Aplicando uma integral a este deslocamento, obtém-se o strain ou deformação. Deslocamentos, principalmente na região apical, provocados pela rotação podem deslocar esta região e coloca-la fora do alcance do ultrassom em alguns quadros de imagem, mas não em todos. O software está preparado para procurar a imagem perdida alguns quadros adiante e só registra o deslocamento quando o encontra. Ou seja, não é correto afirmar que o GLS observa uma região diferente. Ele segue uma região (speckle pattern) previamente identificada usando um sistema de rastreamento de padrão acústico por similaridade, com níveis de certeza maiores que 80-90%.
    O SLG é mais sensível que a FE justamente porque não mede volumes, senão cada segmento miocárdico em particular. O resultado final é mais do que um número, é uma série de informações que nos falam a respeito da contratilidade, seja esta normal, diminuída ou compensatória, assim como a manutenção ou perda do padrão de aumento da base para o ápice da deformação, sua homogeneidade ou heterogeneidade e, nos casos de alteração segmentar isquêmica, a presença de alongamento pré-sistólico e contração pós-sistólica, estes fenômenos já descritos no guideline ASE sobre ecocardiografia de estresse em 2020.
    Sua dependência da pré e da pós-carga é amplamente conhecida, devendo ser levada em alta consideração ao realizar esforço, seja isométrico ou isotônico. As novas tecnologias utilizando trabalho miocárdico, ao incluir a carga, ou seja, a pressão arterial, procuram identificar como trabalha cada segmento do miocárdio durante todo o ciclo cardíaco (trabalho global), qual o trabalho efetivo e, principalmente, qual a parte do trabalho (leia-se contração e consumo de oxigênio do miocárdio) que fica desperdiçado durante o ciclo (por exemplo, durante uma contração pós-sistólica ou durante uma movimentação discinética de um ou mais segmentos) assim como sua eficiência. Os trabalhos de validação do método caminham a passos largos.
    Com relação ao espessamento do miocárdio, denominada “mecânica radial” (erroneamente, no meu entender), é a resultante do cisalhamento dos feixes de miofibrilas, que deslizam umas sobre as outras pelos planos de clivagem denominados perimísio. Na realidade, tanto o encurtamento base-ápice como a rotação basal e apical, que resultam na torção ou twisting, são devidos ao encurtamento do miócito. E veja como a natureza é maravilhosa: a conformação helicoidal do miocárdio, formado por feixes cruzados em diferentes direções, permite que um miócito que encurta 12 a 15% do seu comprimento consiga uma fração de ejeção maior que 60%. Pura arquitetura funcional.

    • Caro professor Castilho, obrigado pela participação. Acredito que o senhor seja um dos melhores conhecedores do método. A afirmação foi feita, algumas vezes, pelo professor Stoylen, da Noruega. Achei a argumentação dele boa e vou colocar de modo mais extenso em novo texto e faço questão de ter sua análise também. Grande abraço

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