SOCESP 2014: Coisas que só o 3D faz para você

Pode a avaliação tridimensional da geometria valvar mitral prever o resultado cirúrgico da valvoplastia em pacientes portadores de prolapso da valva mitral?

PARDI M M, Abduch MCD, Mathias W, Brandão CMA, POMERANTZEFF PMA, Vieira MLC
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP – – SP – BRASIL

Objetivos: Avaliar a associação de parâmetros da geometria valvar mitral, analisados com a ecocardiografia transesofágica intraoperatória tridimensional (ETEIO3D), com o resultado operatório em portadores de prolapso valvar submetidos à valvoplastia cirúrgica.

Metodologia: em 54 pacientes submetidos à valvopastia, foram medidos com a análise quantitativa pela ETEIO3D os parâmetros anatômicos: diâmetros anteroposterior e intercomissural, altura, circunferência e área do anel mitral; comprimento, área e linha de coaptação das cúspides; volume e altura do prolapso; distância do músculo papilar (anterolateral e posteromedial) à borda da cúspide; e ângulos mitro-aórtico e não planar, em 2 grupos classificados de acordo com o grau da insuficiência mitral pós-operatória (grupo 1: insuficiência ausente ou grau I; grupo 2: insuficiência grau II ou III).

Estatística: análises univariada, multivariada e de curva ROC foram utilizadas para identificação de associação de parâmetros anatômicos e resultado cirúrgico. Os resultados foram comparados por testes estatísticos ao nível de significância de p<0,05.

Resultados: presença de prolapso bicuspídeo (p=0,041) e distância do músculo papilar posteromedial à borda da cúspide (p=0,038) foram maiores no grupo 2. Análise multivariada identificou prolapso bicuspídeo e distância do músculo papilar posteromedial à borda da cúspide maior que 30 mm como fatores associados à insuficiência mitral pós-operatória grau II ou III (p=0,039 e 0,015, respectivamente), e com risco de 5,3 e 6,3 vezes maior de insuficiência significativa pós-operatória, respectivamente.

Conclusão: a distância do músculo papilar posteromedial à borda da cúspide, obtida pela ETEIO3D e a presença de prolapso bicuspídeo mostraram associação com o grau da insuficiência grau II ou III pós-operatória.

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Reparem nessa informação:

 Análise multivariada identificou prolapso bicuspídeo e distância do músculo papilar posteromedial à borda da cúspide maior que 30 mm como fatores associados à insuficiência mitral pós-operatória grau II ou III (p=0,039 e 0,015, respectivamente), e com risco de 5,3 e 6,3 vezes maior de insuficiência significativa pós-operatória, respectivamente.

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O cirurgião precisa ter essas duas informações antes de entrar no centro cirúrgico.

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SOCESP 2014 : Destaques

Comparação da acurácia diagnóstica entre a ecocardiografia transesofágica bidimensional e tridimensional em pacientes com prolapso da valva mitral submetidos à valvoplastia cirúrgica

PARDI M M, Abduch MCD, Mathias W, Brandão CMA, POMERANTZEFF PMA , Vieira MLC

Objetivos: comparar a acurácia diagnóstica entre a ecocardiografia transesofágica bidimensional (ETE2D) e tridimensional (ETE3D) na avaliação do prolapso da valva mitral (PVM) em pacientes submetidos à valvoplastia cirúrgica.

Metodologia: foram estudados 62 pacientes operados por PVM e submetidos à avaliação ecocardiográfica intraoperatória pela ETE2D e ETE3D, comparando sensibilidade, especificidade e acurácia dos métodos diagnósticos, e tendo como padrão-ouro a inspeção cirúrgica. As variáveis ecocardiográficas estudadas por 3 examinadores experientes e sem conhecimento da análise dos outros métodos, foram: localização e grau do prolapso, e presença de rotura de cordas.

Estatística: os resultados foram analisados pelo teste de comparação de duas proporções e pelo índice de concordância de Kappa entre métodos ao nível de significância de p < 0,05.

Resultados: houve  sensibilidade maior da ETE2D no diagnóstico de prolapso nos segmentos A2, P1 e P3 comparada à da ETE3D (p=0,019, p=0,023, p=0,012, respectivamente) e maior especificidade da ETE3D no segmento P1 comparada à da ETE2D (p=0,006). Não houve diferença na acurácia diagnóstica ente a ETE2D e a ETE3D. Quanto ao diagnóstico de rotura de cordas, não houve diferença significativa entre os 2 métodos.

Conclusões: a ETE2D e a ETE3D apresentaram acurácia equivalente no diagnóstico de PVM, com maior sensibilidade da ETE2D no diagnóstico de prolapso nos segmentos A2, P1 e P3, e maior especificidade da ETE3D no segmento P1.

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Pesquisa apresentada pelo grupo do Marcelo Vieira surpreendeu à todos por não demonstrar vantagem do 3D.

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O 3D ainda não foi ensinado como método puro, mas como adicional ao 2D.

Assim, perde fácil.

Como na TOMO de coronárias, o examinador faz as fotos bonitas em 3D mas dá o laudo apenas com as “linguiças” do 2D.

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Quem domina o método como o Marcelo, deve iniciar um caminho de ensino no 3D do início ao fim do exame.

Seguiremos o exemplo em Campinas.