Os excluídos do Estudo HUNT 4. Para quem usa:

Distribuição dos participantes do estudo por número de segmentos ventriculares esquerdos aprovados durante a medição da deformação com o método de deformação bidimensional (2DS). Os participantes do estudo com 10 segmentos aprovados foram incluídos nas análises de dados, enquanto aqueles com 9 segmentos aprovados foram excluídos.

1- Indivíduos com até 9 segmentos não analisáveis de 18 segmentos no total, foram aceitos para o estudo de Strain.

Em Ecoestresse, bastam 3 segmentos não analisáveis para os europeus excluírem um paciente.

De um pouco mais de 1000 pacientes analisados, pelo menos 300 não tinham 3 segmentos não analisáveis.

Como eles fizeram a análise?

O aparelho inventou uma variação baseado na média?

Vejam que já era quase metade da amostra excluída:

Em indivíduos que deveriam ser normais, 535 tinham FA

Mais de 1000 foram excluídos da análise por vários motivos.

Dos 1329 que sobraram, 1/3 não tinha os segmentos necessários para análise mas foram incluídos.

Strain do reservatório vira marcador sério antes de atingir a maturidade

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11123486/

Esse artigo de revisão de O’Neill e colaboradores (2024), publicado na revista Medicina, consolida o papel do strain do átrio esquerdo (AE) como uma ferramenta clínica valiosa e ultra-sensível no ecocardiograma bidimensional com speckle-tracking (2D-STE).
O ponto central da publicação é mostrar que a disfunção funcional do átrio esquerdo antecede as alterações estruturais e a dilatação geométrica em até uma década. Ou seja, o músculo atrial adoece e perde elasticidade muito antes de o átrio aumentar de tamanho.
Abaixo estão os principais tópicos detalhados pelo artigo:

1. Padronização Técnica e as Três Fases Atriais

O texto reforça o consenso da Associação Europeia de Imagem Cardiovascular (EACVI) para a obtenção das medidas, idealmente a partir da janela apical 4 câmaras, garantindo que o teto do átrio não esteja truncado e excluindo explicitamente a foz das veias pulmonares.
Utilizando o fechamento da valva mitral (início do QRS) como o ponto de referência zero, o software consegue extrair as três fases do ciclo atrial em uma única curva:

  • Strain de Reservatório (LASr): Mede a deformação positiva máxima (estiramento) do AE durante a sístole ventricular, enquanto ele recebe o fluxo das veias pulmonares.
  • Strain de Conduto (LAScd): Reflete a fase de enchimento ventricular passivo (início da diástole), calculada pela diferença entre o strain de reservatório e o de bomba.
  • Strain de Bomba / Contratil (LASct): Mede a contração ativa do átrio (sístole atrial ou “chute atrial”) no final da diástole ventricular (onda P do ECG).

2. O “Lag” entre Função e Volume (Strain vs. LAVI)

Os autores destacam que processos como inflamação, estresse miocárdico crônico e fibrose intersticial reduzem a complacência do AE precocemente.
Parâmetros clássicos, como o Índice de Volume do Átrio Esquerdo (LAVI), falham em detectar essa fase inicial da cardiomiopatia atrial. Estudos citados na revisão mostram que o strain atrial já se apresenta alterado de forma significativa em diferentes graus de disfunção diastólica, mesmo quando o LAVI dos pacientes ainda está rigorosamente igual e dentro dos limites normais.

3. Aplicações Clínicas de Destaque

  • Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus: Pacientes hipertensos apresentam uma redução importante no strain de reservatório e de conduto (LASr médio de ~29,8% vs. ~34,8% em controles saudáveis) antes mesmo de desenvolverem hipertrofia ventricular esquerda ou dilatação do AE. O strain atua aqui como um sinalizador precoce de lesão tecidual por estresse oxidativo, sugerindo a necessidade de um controle metabólico e pressórico mais agressivo.
  • Predição de Fibrilação Atrial (FA): O LASr mostrou-se um preditor independente de novos episódios de FA, mesmo em corações estruturalmente normais. O artigo cita um ponto de corte crítico: LASr < 23\%. Pacientes abaixo desse valor têm um risco quase 7 vezes maior de desenvolver FA. Se o LASr cair para menos de 15%, o risco relativo (hazard ratio) dispara para mais de 22 vezes.
  • Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEp): Como a FA é uma complicação frequente e de pior prognóstico na ICFEp, a avaliação do strain de bomba e de reservatório ajuda a identificar quais pacientes estão sob maior risco de sofrer arritmias.
  • Amiloidose Cardíaca (AC): Sendo uma doença infiltrativa e restritiva, o depósito de amiloide acomete severamente as paredes finas do AE. O artigo ilustra casos de pacientes com sintomas graves de insuficiência cardíaca e um LAVI discretamente aumentado (41 \text{ mL/m}^2), mas com o strain atrial praticamente zerado (ausência de deformação). A inclusão do strain de reservatório nos escores de estadiamento tradicionais aumentou muito a sensibilidade prognóstica, especialmente nos subtipos ATTR (por transtirretina).

4. Comparação com Outros Métodos de Imagem

O artigo menciona que a Ressonância Magnética Cardiovascular (RMC) por feature tracking e a Angiotomografia Computadorizada Cardiovascular (ATC) também avaliam o strain atrial e possuem excelente resolução espacial.
No entanto, o speckle-tracking ao ecocardiograma continua sendo a escolha de primeira linha pela acessibilidade e reprodutibilidade. Um detalhe técnico importante: o eco tende a registrar valores absolutos de LASr ligeiramente menores do que a tomografia (ex: mediana de 19% no eco vs. 28% na ATC), mas apresenta menor variabilidade de coeficiente de variação, mostrando-se mais robusto no acompanhamento longitudinal.

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Opinião Echotalk:

Não temos elementos ainda para definir o LAR como marcador independente da idade ou da calcificação do anel Mitral

Ele esta associado a variáveis de prognóstico já conhecidas

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Vamos acompanhar