Qualquer homem passa, mas um bom método fica.

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Outro dia conversei com um ex-residente do hospital que me contava animado:
– Estou trabalhando em Americana com Eco de esforço em bicicleta.
– Consigo fazer uns 10 por manhã.
– Você precisa conhecer o sistema deles, completou, é muito prático e rápido.
– O sistema de ergometria fica ao lado do aparelho de Eco e você mesmo controla.
– A funcionária já deixa o próximo paciente com os eletrodos e troca antes de você terminar o laudo!
– Você deveria fazer igual, aqui na UNICAMP.
Respondi, meio constrangido, que seria difícil colocar tantos equipamentos na sala pequena que usamos no HC…
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Eu montei o serviço de Americana que o residente citou, em 2002.
Foi meu primeiro serviço de eco de esforço, que decidi montar após ver uma aula da Professora Vera Marcia Gimenes.
Comprei uma bicicleta horizontal após testá-la na loja, com um Esaote SIM 5000.
Inicialmente, eram 20 exames por mês pedidos por um único médico.
Com 2 anos, eram 150 exames por mês e 14 médicos solicitantes.
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Montei mais 4 serviços iguais antes de ser convidado a repetir o método na UNICAMP.
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Participei diretamente da montagem de pelo menos 12 serviços de eco de esforço locais e indiretamente de mais 30 em outros estados.
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Hoje recebo, feliz, conselhos de usuários de meus antigos laboratórios, que ignoram a origem desse protocolo específico…
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Enquanto isso, nas capitais, grandes cursos de ecocardiografia ocupam 2 anos de seus alunos (Não remunerados) para soltá-los no mercado sem nenhum treinamento em eco de esforço em bicicleta…

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Uma ecocardiografista na Àfrica: Angola.

Pedi a nossa colaboradora Dra Ana Feijão que contasse como está a ecocardiografia em Angola. O país está em reconstrução após anos de guerra civil.
Abaixo:

Angola…

Eu vim de um país “europeu”. Portugal com as suas dificuldades é um país com grandes avanços a nível da saúde. O hospital onde estava era virado para a investigação, trabalhava com topos de gama (Vivid 7 e vivid i na altura) tanto no hospital como na clínica. As patologias características: isquémica, cardiopatias hipertensivas controladíssimas, e as características doenças fibrocalcificantes (que apareciam nas conclusões do relatório como “doença” só por terem regurgitações ligeiras).

Cheguei a Angola e a realidade era completamente diferente!

Comecei por trabalhar num hospital central onde havia uma só sala de ecocardiografia, com um ecocardiógrafo – um Siemens ACUSON CV70 – , sem computador, onde só faziam ecos de manhã das 9 às 11 horas. Chegavam doentes gravíssimos a pé (apanhei um tamponamento cardíaco, uma rotura de SIV e um cor pulmonale, cada um com uma caminhada de horas para chegar ao hospital…) e as patologias mais características eram as miocardiopatias dilatadas e os cor pulmonale por HTP primárias.

Cardiopatias congénitas sempre uma constante, miocardiopatia dilatada peri-parto também… a tuberculose e os VIH positivos são uma realidade por cá com todas as consequências cardíacas que implicam e a hipertensão arterial tem uma incidência muito elevada. As cardiopatias hipertensivas são muito frequentes (uma média de 5 doentes em 15 por dia) e a hipertensão arterial é uma constante. Apanhamos todos os tipos de “corações hipertensos” e em todas as fases: insuficiência cardíaca diastólica, sistólica, hipertensiva dilatada, … Recebo com muita frequência doentes com tensões arteriais na ordem dos 200/100 mmHg que – dizem – tomar a medicação de acordo com a ordem do médico. Um problema grave de saúde…

Estranhei encontrar poucos valvulares. Muito poucos…

Entretanto, com o desenvolvimento do nosso laboratório, continuamos a trabalhar apenas com uma sala e um aparelho, mas a apresentar uma estatística bem diferente. Começámos a responder mais rapidamente a pedidos externos e foram assim aparecendo patologias de ambulatório como cardiopatias hipertensivas em fases iniciais, algumas patologias valvulares reumáticas e uns exames normais muito de vez em quando.

Os doentes são muitos. De Luanda, da periferia de Luanda e das províncias onde não existem recursos humanos suficientes com certo tipo de formação.

Os recursos materiais são poucos. Luvas, máscaras, rolo de papel de marquesa, rolo de papel de impressora… têm que ser bem aproveitados tendo em conta que muitas vezes o stock termina e ficam contentores presos no porto de Luanda.

Computador nem sempre está presente e muitas vezes temos que fazer o relatório à mão. Porque mesmo fazendo no nosso PC pessoal fica a falta a impressora para imprimir os relatórios.

A área da investigação é pouco desenvolvida. Os estudantes de medicina vão dando os primeiros passos, mas logo que começam a trabalhar percebem que fica difícil dar tempo e atenção a esta área. Há poucos profissionais na área da saúde e os poucos que cá trabalham dão “assistência” a várias clínicas. Por exemplo, no meu caso, trabalho em 5 locais diferentes ao longo da semana.

Claro que toda esta realidade hospitalar nada se relaciona com a realidade de uma clínica ou hospital privado. Sobretudo os mais recentes que estão equipados com equipamentos de última geração e dos mais diversificados luxos.

Cumprimentos

Maioria apóia mudanças na prova do título.

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Todas as críticas podem ser feitas a uma pesquisa de site na internet.
Só não se pode ignorá-la.
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Abaixo, um figura representativa dos mentores da atual prova.
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