Prova 2017: Candidatos prejudicados se manifestam em carta.


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Brasil, 11 de agosto de 2017.

À Sociedade Brasileira de cardiologia e Comissão de Habilitação do Processo Seletivo de Obtenção do Certificado de Atuação na Área de Ecocardiografia para o ano de 2017 / Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC/SBC)

    Consternação. Nenhuma palavra resume melhor o sentimento que certamente todos os colegas aqui representados vivenciaram após prestarem o Processo Seletivo de Obtenção do Certificado de Atuação na Área de Ecocardiografia este ano. Solicitamos uma breve pausa para reflexão sobre o ocorrido nos últimos dias. 

     Busca por boa formação durante toda uma carreira médica e, especificamente, em Ecocardiografia, milhares de exames realizados sob supervisão de chefes experientes, tempo desprendido no aprofundamento teórico, gasto financeiro na educação complementar. Todo esse Investimento pareceu em vão quando nos deparamos com a situação a que fomos expostos. 
    83% de reprovação não é de longe o que se espera como resultado final de uma Prova de Título aplicada a profissionais altamente especializados.  Esse valor não separa o profissional qualificado do não qualificado (que a princípio seria o objetivo maior do certame); pelo contrário, coloca ambos em um mesmo patamar, o dos não aprovados, gerando frustração e indignação.
     Apenas 16,6% de aprovação (66% dos profissionais da Pediatria e somente 13,3% dos de Adulto) após 8 questões anuladas, de 70, com um índice baixíssimo de acertos, foi a pior taxa de aprovação já vista na história do DIC e indica que algo não saiu como o esperado na metodologia adotada para a avaliação este ano: seja pelo excessivo número de questões específicas teóricas e de vídeo de Ecocardiografia Pediátrica, com conteúdos minunciosos em demasia para o que foi proposto pelo edital e pelas referências lá citadas, além de questões de Cardiologia Clínica, em detrimento de conteúdos de maior abrangência entre ambos os setores da Ecocardiografia (do Adulto e Pediátrica); seja pelo alto ponto de corte fixado, cuja estratégia acaba levando à perda da noção do nível de complexidade da prova, uma vez que se deixa de valorizar a nota do primeiro colocado, naturalmente o mais bem preparado, para se considerar uma base de que é possível 100% de acertos, o que sabemos ser praticamente impossível de se alcançar, principalmente se falarmos desta prova em específico. 

        Os detentores do certificado em área de atuação possuem qualidade comprovada e reconhecida perante as sociedades, mas sabemos que, este ano, a ausência desse certificado para uma boa parte dos candidatos não significa falta de qualidade, mas é o espelho de uma prova incapaz de avaliar a nossa boa formação.

      Diante do exposto, e contando com o bom senso e compreensão dos senhores, juntamente com os demais sócios do DIC que compartilham de nossa indignação, vimos por meio desta solicitar a mudança do ponto de corte da prova para o que tem sido feito nos últimos anos: para 70% da média da nota dos 3 primeiros colocados. Para isto, precisamos contar apenas com a disposição da comissão em amenizar essa situação trágica, voltando atrás e retomando o ponto de corte habitual. O atual edital permite isso (9.11 Os itens deste edital poderão sofrer eventuais alterações ou acréscimos, enquanto perdurar o certame. Qualquer retificação deste edital, que se fizer necessária, será publicada no site do DIC.). 
       Quanto às normativas da AMB, referidas pela comissão como base para a estipulação do ponto de corte, essas são sugeridas, porém não há obrigatoriedade de adesão às mesmas, visto que cada Sociedade e cada Departamento é uma instituição  independente, tendo total autonomia para escolher e mesmo repensar qual a melhor forma de avaliação dos profissionais de sua especialidade.
     O bom senso pede essa reflexão. O que está em jogo é a manutenção da credibilidade do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
      No ano de 2009 foram 69 aprovados, 2010 80 aprovados, 2013 101 aprovados,2013/2014 74% aprovados, 2014 -68% aprovados, 2015 106 aprovados,  2016 – 261 aprovados queremos saber porque estamos sendo punidos com 32 aprovações? 16%?
     Gostaríamos de um posicionamento da sociedade diante destes fatos.

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Noventa e sete candidatos assinam a carta.
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4 comentários em “Prova 2017: Candidatos prejudicados se manifestam em carta.

  • No ano de 2002 eu prestei prova do título de área de atuação em cardiologia pediátrica.Período anterior ao certame eu me deparava com a falta de indicação no edital daquele ano de qual seria o critério de aprovação.Pasmem, não havia escrito qual o critério de acertos para aprovação.Pois bem, fui a prova, fiz 80% na teórica e 65% na prática.Em minha cabeça , seria uma média entre as duas.Após o concurso fui surpreendido com um critério adotado durante a correção das mesmas.Encurtando a conversa, foram nove meses de discussão entre AMB,CFM (fiz denúncia em ambos os órgãos na época) e departamentos da área de pediatria e cardiologia na época.
    Mas enfim, recebi a carta do CFM após nove meses me informando da “determinação daquele órgão aceitando minha aprovação e orientando o Departamento de Cardiologia Pediatrica da SBC a rever a aprovação dos demais pois foram muitos submetidos a injustiça de critérios”.
    Portanto, não desistam!Lutem por critérios justos e adequados a boa prática médica.Não aceitem serem submetidos a reserva de mercado ou coisa parecida.
    Desejos de boa sorte e perseverança.
    Ernani Peres Neto

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