

O Strain Longitudinal Global (GLS) do ventrículo esquerdo, embora amplamente utilizado, apresenta limitações clínicas importantes detalhadas nos “nove fatos desconfortáveis” apresentados na fonte:
- Falta de uma definição universal: Não existe um consenso único sobre o que define o strain. As definições matemáticas atuais (Lagrangiana ou Euleriana) são unidimensionais, enquanto o ventrículo esquerdo é uma estrutura tridimensional. Diferentes escolhas de numeradores e denominadores para o cálculo resultam em valores distintos.
- Ausência de padrão-ouro: Devido à falta de definição, o GLS não possui um padrão-ouro (“gold standard”), o que impede uma validação definitiva da medida.
- Dependência de métodos e fabricantes: Os valores de strain variam conforme o método de aquisição (Doppler tecidual vs. feature tracking) e o software utilizado. Cada fabricante possui algoritmos e filtros próprios, muitas vezes mantidos como segredos industriais, o que gera inconsistências entre diferentes aparelhos.
- Relação inversa com a área de superfície corporal (BSA): Diferente do volume sistólico (SV), que se correlaciona diretamente com a BSA, a magnitude do GLS é inversamente relacionada a ela. Isso ocorre porque a normalização do comprimento do ventrículo esquerdo é considerada incompleta.
- Dependência de sexo: O GLS é influenciado pelo sexo do paciente, o que não ocorre de forma tão significativa com outras medidas como o MAPSE.
- Fatores de confusão no diagnóstico: Como o GLS é afetado pela BSA e pelo sexo, essas variáveis atuam como fatores de confusão, complicando o diagnóstico e o prognóstico clínico.
- Falta de correlação com o volume sistólico: Em populações normais, o GLS não demonstra correlação com o volume sistólico (SV), o que limita sua utilidade como medida direta de desempenho da bomba cardíaca.
- Limitação na medição do trabalho miocárdico: Os loops de pressão-strain do GLS não medem o trabalho miocárdico global de forma precisa.
- Dependência da idade: O GLS varia conforme a idade do paciente, diferentemente da Fração de Ejeção (FE) e da porcentagem do MAPSE, que permanecem mais estáveis nesse aspecto.
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