Médicos no buffet.


Uns 10 anos atrás, participei de uma reunião com um “empresário’ da medicina, um advogado, que me disse:
– Hoje em dia, médico é um produto barato, se precisar, vou a São Paulo e trago uma sacola de médicos para trabalharem em Americana.
Nunca me esqueci dessa reunião.
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Hoje a medicina privada em minha cidade funciona assim, como um restaurante self-service, com preço fixo:
O cliente paga uma taxa e pode se servir a vontade.
Cabe a ele decidir se vai consumir um produto melhor ou pior.
O dono do estabelecimento, oferece produtos de baixo custo de obtenção com outros de alto custo, mais chamativos. E torce para o cliente não consumir só os de alto custo.
Os produto são em quantidade limitada mas de livre escolha.
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Os convênios oferecem um Buffet de médicos, em um número restrito.
O cliente pode escolher a vontade, sem custo adicional, entre médicos mais experientes ou estudiosos ou entre médicos de baixa dedicação ao aprendizado.
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Para o cliente, em princípio, tudo bem.
Para o médico, nenhuma recompensa para o estudo ou dedicação.
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Todo médico trabalha visando uma remuneração justa, pelo menos em segunda ou terceira ordem de importância.
Como não há recompensa por dedicação, falta estímulo para se dedicar..
Aí a média de qualidade dáqueles médicos de determinado convênio começa a cair…
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Como o produto saúde depende muito do executor, o médico de qualidade, esse produto perde seu valor, e passa a não ser diferenciado dos concorrentes de baixo custo.
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Há 10 anos atrás o “empresário’ estava certo?
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Transesofágico = Tragédia financeira?


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A história se repete.
Aparelho Xario novo, com sonda transesofágica.
Após 4 meses de uso efetivo, notamos perda do sinal e bolha no transdutor.
Enviado a empresa, no prazo da garantia.
Resultado da avaliação:
– Quebra por uso “inadequado” da sonda.
– Não coberto pela garantia.
– Prazo para conserto = 6 meses.
– Custo do reparo = 32 mil reais.
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Posso contar mais umas 5 histórias semelhantes na região.
E alguns leitores ainda me perguntam:
– Vale a pena fazer transesofágico?
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Valores normais para Vitória – Brasil


Arquivos Brasileiros de Cardiologia
Arq. Bras. Cardiol. vol.89 no.3 São Paulo Sept. 2007
Lílian Cláudia Souza Ângelo; Marcelo Luiz Campos Vieira; Sérgio Lamêgo Rodrigues; Renato Lírio Morelato; Alexandre C. Pereira; José Geraldo Mill; José Eduardo Krieger
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Esse artigo é parte de tese de doutorado de Lílian Cláudia Souza Ângelo, pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas – FMUSP.
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