Vida de ecocardiografista não é fácil

Apesar do mito na medicina que coloca os médicos que fazem exames no paraíso da medicina, a vida de ecocardiografista não é fácil.

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Grupos financeiros compram hospitais, desfazem contratos de serviços de imagens com mais de 10 anos por e-mail, colocam gestores que enxergam os ecocardiografistas como ferramentas de fácil reposição e mudam de ideia a cada semana.

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Os serviços de ecocardiografia da região que tem cardiologistas como donos estão sumindo.

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O recém especializado, sem opções, aceita receber por hora ou pacote, sem nenhuma escolha no aparelho ou horário.

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Para piorar, o exame caminha para maior complexidade com Strain e 3D.

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Saindo, de novo, da possibilidade individual de ter um aparelho completo em laboratório pequeno.

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Mas a fórmula continua a mesma para quem quer ter sucesso e rendimento na área:

Criem grupos de sócios de cardiologistas clínicos e ecocardiografistas, evitem brigas e dissoluções no grupo, comprem aparelhos bons e façam exames confiáveis, planejem trabalhar em máquinas próprias mesmo que suas frações proprietárias sejam pequenas e só confiem em pessoas que fazem o mesmo tipo de medicina que vocês querem fazer.

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Coronárias: Sucção diferente

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Differences in cardiac microcirculatory wave patterns between the proximal left mainstem and proximal right coronary artery

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2544490/

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In contrast to the LMS, where coronary flow velocity was predominantly diastolic, in the proximal RCA coronary flow velocity was similar in systole and diastole. This difference was due to a smaller distal-originating suction wave in the RCA, which can be explained by differences in elastance and pressure generated between right and left ventricles.

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Vejam que mesmo conceitos de fluxo que pareciam similares na coronárias, são diferentes em territórios direito e esquerdo.

A coronária direita não têm a sucção intensa que o território esquerdo apresenta.

Tratamos da mesma forma fluxos diferentes.

O Strain também é diferente em territórios nutridos por uma ou outra coronária.

Como a sucção é gerada nas lâminas, o Strain pode apontar diferenças e mudanças do padrão ao repouso.

Passe a reparar no Strain de territórios da coronária direita.

O diagnóstico de coronariopatia ao repouso deve passar por estas diferenças!

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Escore de risco com Strain para hipertensos

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Prognostic Implications of LV Strain Risk Score in Asymptomatic Patients With Hypertensive Heart Disease

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https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1936878X16302558

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Conclusions

LV longitudinal function is associated with MACE, independent of and incremental to clinical parameters and LVMI in HHD. Deterioration in strain was more strongly associated with MACE than were LVH and LV circumferential function, reflecting a higher susceptibility to chronic HTN and higher sensitivity to MACE of GLS. A multiparametric risk score including GLS may lead to better appreciation of a risk of MACE in HHD.

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Todo marcador que se firma na medicina, acaba sendo inserido em um Escore.

O Strain consegue agora esta inserção.

Mais uma evidência de uso na rotina impossível de menosprezar.

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Fluxo coronário e as lâminas do miocárdio vistas ao Speckle Tracking

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Wave Intensity Analysis in the Human Coronary Circulation in Health and Disease

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3968589/

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Em todas as artérias, o fluxo sanguíneo ocorre ao longo de um gradiente de pressão. Nas artérias sistêmicas, esse gradiente de pressão é geralmente gerado na extremidade proximal (aórtica) do vaso, levando o sangue para o leito capilar. A circulação coronariana, no entanto, oferece uma exceção, onde flutuações na pressão não apenas se originam na extremidade proximal do vaso, mas também se originam na extremidade distal (microcirculatória) do vaso [1]. Essas alterações de pressão originárias distais são ativamente geradas pela compressão e descompressão da microvasculatura, que fazem com que a forma de onda da velocidade de fluxo na artéria coronária seja muito diferente daquela de uma artéria sistêmica, como a aorta (Fig. 1).

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Leiam agora:

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A aceleração do fluxo sanguíneo durante este período, em face da queda da pressão, pode, portanto, ser devida apenas a uma onda originária do vaso distal, criando um efeito de sucção que acelera o fluxo sanguíneo para a microcirculação

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A contribuição do camada subendocárdica em seu Strain longirtudinal (70%) ao repouso ainda não foi determinada em seu mecanismo de gerar sucção. Sem sucção o fluxo coronária pode ser diminuído, reduzindo ainda mais a oferta de sangue à uma área já isquêmica. 

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Isquemia nas lâminas, individualmente, pode gerar menor sucção e mais isquemia.

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Aí pode estar a chave do gradiente de Strain entre as lâminas cardíacas e a determinação de coronariopatia ao repouso.

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Onde e quando no Speckle Tracking

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https://www.escardio.org/static_file/Escardio/Subspecialty/EACVI/position-papers/2d-speckle-tracking-echocardiography.pdf

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Em 2015 a sociedade européia definiu parâmetros para o speckle tracking de forma bem básica.

E só.

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Quatorze mil textos abordaram o tema desde então.

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De todos, o que mais chama a atenção é o Strain específico para cada camada miocárdica.

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O que usar, ainda é complicado responder .

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A fisiopatologia sugere que haveria um gradiente de Strain entre a camada subendocárdica, mais sujeita à isquemia, e as camadas media e subepicárdica.

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Este artigo é bem interessante:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167527316319830?via%3Dihub

Usefulness of layer-specific strain for identifying complex CAD and predicting the severity of coronary lesions in patients with non-ST-segment elevation acute coronary syndrome: Compared with Syntax score

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O diagnóstico de doença coronária significativa ao ecocardiograma de repouso com Strain de camadas miocárdicas caminha para o uso clínico.

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A complicação a ser resolvida é que o encurtamento longitudinal só é importante na camada subendocárdica , enquanto que a camada subepicárdica teria um componente circunferencial mais definido.

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Dispnéia e Disfunção Diastólica

http://departamentos.cardiol.br/dic/publicacoes/revistadic/revista/2018/portugues/Revista02/revista-abc-imagem-original-3102217-portugues.pdf

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É comum a associação de disfunção diastólica e dispnéia.

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Basta receber um laudo com disfunção diastólica de qualquer grau que o clínico aceita a dispnéia como de origem cardíaca.

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O estudo acima ajuda a entender melhor esta associação.

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Parabéns ao grupo!

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